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Sobrevivente da Boate Kiss é ouvida no primeiro dia de julgamento

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A Justiça Gaúcha iniciou hoje (1º) o julgamento de quatro réus pelo crime de homicídio no caso da Boate Kiss, ocorrido em 2013, em Santa Maria (RS). Cerca de nove anos após a tragédia, o julgamento é realizado pelo Tribunal do Júri de Porto Alegre e deve durar cerca de 15 dias. 242 pessoas morreram e 636 ficaram feridas. 

O caso ocorreu no dia 27 de janeiro de 2013, quando um dos integrantes da banda Gurizada Fandangueira disparou um artefato pirotécnico, atingindo a cobertura interna da boate e deflagrando o incêndio. A maioria das vítimas era jovem e morreu após inalar fumaça tóxica e não conseguir deixar a boate pela única porta de emergência que estava em funcionamento. 

Saiba mais: Caso da Boate Kiss vai a júri oito anos após tragédia

São réus Elissandro Callegaro Spohr, ex-sócio da boate; Mauro Londero Hoffmann, também ex-sócio; Marcelo de Jesus dos Santos, vocalista da banda e Luciano Bonilha Leão, produtor musical.

Pela manhã, os trabalhos foram iniciados para composição do conselho de sentença, que será responsável pela decisão final de condenação ou absolvição dos réus. O júri será composto por seis homens e uma mulher. 

Na parte da tarde, teve início a fase de instrução, e a primeira testemunha foi ouvida. Kátia Giane Siqueira trabalhava no bar da boate e teve 40% do corpo queimado. Em depoimento emocionado, ela relatou os momentos de pânico dentro da boate. 

Kátia disse que conhecia cerca de 50 pessoas que morreram, entre funcionários e frequentadores. Além disso, ela confirmou que foi feita uma reforma para elevar o piso do palco antes do incêndio. 

A ex-funcionária afirmou que passou por cinco cirurgias de reparação de pele e que, por prescrição médica, tomava morfina para aliviar as dores. 

“Quando eu senti que era fogo mesmo, eu tentei respirar fundo, eu vi que os guris que trabalhavam no bar já tinham pulado o balcão e saído. Estava eu e outra menina, que faleceu. Na hora que a gente viu o que estava acontecendo, eu tentei sair e, como tinha gente empurrando, acabei desmaiando lá dentro”, relembrou. 

Na fase de instrução, mais 13 testemunhas de acusação arroladas pelo Ministério Público devem ser ouvidas, além de 14 convocadas pela defesa. 

Em seguida, está previsto o interrogatório dos quatro réus, que poderão ficar em silêncio e não responder aos questionamentos que forem feitos. 

A fase de debates será a próxima. Nessa parte, a acusação e o advogados dos réus apresentam seus argumentos aos jurados. 

A última fase será a sentença, quando os jurados deixam o plenário e se reúnem para dar o veredito. Ao retornarem, o juiz anunciará a sentença pela condenação ou absolvição. 

Confira especial da Rádio Nacional sobre a Boite Kiss:

>>> Réus por incêndio na boate Kiss começam a ser julgados na quarta

>>> Julgamento do caso boate Kiss: saiba o que diz a defesa do quatro réus

>>> Julgamento de réus por incêndio na boate Kiss pode durar até 15 dias

Edição: Bruna Saniele

Fonte: EBC Geral

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Contratações de consignado no Auxílio Brasil devem começar em setembro

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O ministro da Cidadania, Ronaldo Bento, disse hoje (17) que as contratações de crédito consignado por beneficiários do Auxílio Brasil devem começar até o início de setembro. Após a edição do decreto que regulamentou a concessão desse empréstimo, o Ministério da Cidadania trabalha em normas complementares para o início das operações.

“Já temos quase 17 instituições financeiras homologadas pelo Ministério da Cidadania aptas à concessão do empréstimo consignado. É um número que mostra o interesse do mercado em estar disponibilizando o crédito para essa população”, disse, durante coletiva de imprensa no Palácio do Planalto.

O crédito consignado é aquele concedido pelas instituições financeiras com desconto automático das parcelas em folha de pagamento do salário ou benefício. Os beneficiários do Auxílio Brasil poderão fazer empréstimos de até 40% do valor do benefício e autorizar a União a descontar o valor da parcela dos repasses mensais.

O programa social tem valor mínimo de R$ 400, mas de agosto a dezembro deste ano o benefício será de R$ 600.

Extrema pobreza

O ministro Ronaldo Bento estava acompanhando do presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Erik Figueiredo, que apresentou um estudo que avalia os efeitos do Programa Auxílio Brasil sobre a extrema pobreza, o mercado de trabalho e a insegurança alimentar. A nota Expansão do Programa Auxílio Brasil: Uma Reflexão Preliminar, assinada por Figueiredo, foi divulgada na semana passada.

De acordo com o Ipea, a previsão da Organização das Nações Unidas (ONU) era que a taxa de extrema pobreza brasileira saltaria de 5,1% em 2019 para 8,8% em 2022, mas segundo Figueiredo, a tendência é contrária, com a projeção de uma redução da taxa de extrema pobreza para 4,1% em 2022. Em 2021, 6% dos brasileiros estavam na condição de extrema pobreza.

Para chegar a essa previsão, Figueiredo explicou que o Ipea considerou a adição de 5,7 milhões de famílias no Auxílio Brasil em 2021 e 2022. “Evidente que isso vai ter um impacto na extrema pobreza. Consideramos esse incremento com base em dados mais concretos”, disse.

O estudo diz ainda que o crescimento da prevalência de desnutrição e insegurança alimentar no Brasil não tem impactado os indicadores de saúde ligados à prevalência da fome. “Entre 2018 e 2021, o número de internações relacionadas à desnutrição protéico-calórica de graus moderado e leve, à desnutrição protéico-calórica grave, ao atraso do desenvolvimento devido à desnutrição protéico-calórica, à kwashiorkor [deficiência de proteínas] e ao marasmo nutricional apresentou queda”, informou o Ipea.

De acordo com o instituto, o aumento do repasse do programa representou, entre janeiro e agosto, aproximadamente 2,5 vezes a perda de renda do trabalho das famílias pobres em decorrência da pandemia da covid-19. Além disso, segundo Figueiredo, o crescimento do programa social impulsionou as economias locais.

“Em todas as regiões do país, houve uma relação diretamente proporcional na quantidade de empregos formais gerados e famílias acrescidas ao Auxílio Brasil. Em média, para cada mil famílias incluídas no Auxílio Brasil, há a geração de 365 empregos formais”, disse.

Edição: Fernando Fraga

Fonte: EBC Geral

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