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Setor público registrou superavit de R$358 bilhões em 2021

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O setor público brasileiro registrou um superavit orçamentário de R$ 358 bilhões em 2021, resultado que deriva dos cerca de R$ 6,3 trilhões em receitas orçamentárias obtidas ao longo do ano; e de R$ 5,95 trilhões registrados em despesas. Os números constam no Balanço do Setor Público Nacional, divulgado pela Secretaria do Tesouro Nacional.

O Balanço do Setor Público Nacional (BSPN) é uma publicação anual que apresenta as contas consolidadas de toda a federação, abrangendo os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, bem como do Ministério Público e da Defensoria Pública. Contempla tanto a esfera federal como as estaduais, municipais e distrital.

Tendo por base essas informações, é possível se ter conhecimentos mais aprofundados sobre a situação patrimonial do setor público brasileiro, bem como de seus fluxos.

De acordo com o Tesouro Nacional, o número de municípios que colaboraram para essa base de dados em 2021 foi a maior da série histórica. “Dos 5.568 municípios existentes, apenas 307 não participaram da consolidação, ou por não terem encaminhado suas Declarações de Contas Anuais (DCA) até 24 de maio de 2022 ou por terem apresentado inconsistências relevantes na qualidade das informações enviadas”, informou a secretaria do órgão.

Receitas e despesas por competências

As receitas por competência são obtidas por meio de tributos, contribuições, receitas financeiras, ganhos com ativos e baixa de passivos, reversão de provisões e “outras receitas”. Em 2021, esse tipo de receita apresentou um aumento de 8,66% na comparação com o ano anterior, chegando a R$ 6,213 trilhões.

Segundo o balanço, em grande parte, esse aumento refere-se a um aumento na rubrica “tributos”, que agregou mais R$ 371 bilhões, na comparação com 2020. “Parte desse aumento também deve-se à rubrica ‘outras receitas’, com R$ 255 bilhões; ‘contribuições’, com R$ 165 bilhões e ‘ganhos com ativos e baixa de passivos’, com R$ 163 bilhões”.

O resultado foi influenciado também pela “reversão de provisões de R$ 469 bilhões, em grande parte proveniente dos dados estaduais”.

Já as despesas por competência ficaram em R$ 6,235 trilhões em 2021. Segundo o balanço apresentado pelo Tesouro Nacional, esse valor representa um aumento de 2,3 % (ou R$ 142 bilhões) em relação a 2020.

A rubrica “despesas financeiras” apresentou aumento na ordem de R$ 365 bilhões, enquanto a de “perdas com ativos e assunção de passivos” teve alta de R$ 200 bilhões. A rubrica “outras despesas” aumentou em R$ 145 bilhões e a de “pessoal e encargos” foi responsável por um aumento de R$ 45 bilhões.

Já os gastos com “benefícios previdenciários e assistenciais” apresentaram queda de R$ 189 bilhões, na comparação com o que foi executado em 2020.

Com isso, o resultado total no período ficou deficitário em R$ 21 bilhões, valor que, segundo o Tesouro, é “expressivamente menor” do que o déficit consolidado registrado em 2020 (R$ 374 bilhões).

“Essa diminuição do déficit se deu principalmente devido a um aumento nos valores de receitas com tributos e contribuições, além de uma redução nos gastos com benefícios previdenciários e assistenciais”, justifica a Secretaria do Tesouro Nacional.

Valores patrimoniais

Com relação aos valores patrimoniais consolidados, o balanço apresentou um total de ativos próximo a R$ 9 trilhões – em valores exatos, R$ 8,992 trilhões. Esse “ativo total” representa a soma de bens e direitos. Segundo o balanço, em 2021 o saldo apresentou aumento de 11,79 %, ante aos R$ 8,04 trilhões registrados em 2020.

Compõe esse valor total os R$ 2,756 trilhões registrados em créditos de dívida ativa, tributária e não tributária, entre outros; R$ 2,852 trilhões em bens móveis (veículos automotivos, em geral) e bens imóveis (terrenos, prédios e ativos de infraestrutura); R$ 2,332 trilhões em caixa e equivalentes, abrangendo recursos da conta única dos Tesouros e de outros depósitos bancários; e R$ 1,052 trilhão em participações em estatais e outros ativos.

Já o passivo total, valor que representa a soma das obrigações presentes, ficou em R$ 14,344 trilhões. Segundo o balanço, o saldo registrado nesse exercício apresentou aumento de 7,37% , ante aos R$ 13,359 trilhões registrados em 2020.

Esse valor consolidado é composto por R$ 7,998 trilhões em financiamentos na forma de dívida pública mobiliária e contratual; R$ 5,406 trilhões em passivos relacionados aos regimes previdenciários; e R$ 940 bilhões relativos a “outras obrigações”.

Com isso, o passivo descoberto, que representa o patrimônio líquido, está negativo em R$ 5,353 trilhões. Esse valor residual decorre dos ativos dos entes públicos, após serem deduzidos todos seus passivos. “Nesse montante estão incluídos também o resultado do período e os ajustes da exclusão de saldos de transações recíprocas entre os entes da federação”, esclarece o Tesouro Nacional.

Edição: Pedro Ivo de Oliveira

Fonte: EBC Economia

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Consórcio Infraestrutura MG arremata rodovias do lote Sul de Minas

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O consórcio Infraestrutura MG, formado pelas empresas Equipav e Perfin, é o vencedor do leilão que concedeu à iniciativa privada rodovias compreendidas entre as cidades de Poços de Caldas, Pouso Alegre e Itajubá, integrantes do lote 2-Sul de Minas, do Programa de Concessões Rodoviárias do Estado de Minas Gerais.

O valor máximo de deságio oferecido pelo consórcio foi de 14,9% do valor constante no edital. A contraprestação que será paga ao consórcio pelo governo mineiro será de R$ 377 milhões. O valor básico da tarifa de pedágio será de R$ 8,32, valor máximo previsto em edital.

Apenas dois consórcios participaram da concorrência realizada na tarde de hoje (17). Além do vencedor, concorreu o Monte Rodovias.

O bloco leiloado, na sede da B3, corresponde a 454,3 quilômetros (km) da concessão rodoviária. Fazem parte do lote 2-Sul de Minas trechos das rodovias BR-459, MG-290, MG-173, MG-295, MG-459, MG-455, LMG-877 e CMG-146. O prazo de concessão é de 30 anos.

O projeto foi estruturado sob a liderança da Fábrica de Projetos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O Programa de Concessões Rodoviárias do Estado de Minas Gerais tem outros lotes a serem concedidos. Ainda não foram estabelecidas datas para a concessão.

O programa foi dividido em sete lotes – seis estruturados pelo BNDES – e busca atrair investimentos de R$ 11 bilhões por meio da concessão à iniciativa privada de cerca de 3.250 quilômetros de rodovias.

Na semana passada, a Justiça Federal havia suspendido a realização desse leilão. Mas o governo mineiro conseguiu derrubar a liminar e realizar o leilão na tarde de hoje.

No dia 8 de agosto, o consórcio Infraestrutura MG já havia arrematado a concessão de 627 quilômetros de rodovias do lote 1-Triângulo Mineiro, sem concorrência. Os trechos leiloados no lote 1 estão localizados na região do Triângulo Mineiro e reúnem importantes vias de ligação entre os municípios de Uberlândia, Uberaba, Patrocínio, Perdizes e Araxá.

No dia 12 de agosto, o grupo italiano INC venceu o leilão de concessão do Rodoanel da Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Segundo o secretário estadual de Infraestrutura e Mobilidade, Fernando Marcato, o governo mineiro apelidou essa semana de concessões rodoviárias de Infra Uai, uma brincadeira com a Infra Week, que foi realizada pelo governo federal em abril.

O secretário disse que a expectativa do governo mineiro é leiloar outros dois lotes rodoviários ainda neste ano.

Edição: Fernando Fraga

Fonte: EBC Economia

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